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Dúvida: Sistema Financeiro

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  • Rabbit
    • 29/08/07
    • 4

    Dúvida: Sistema Financeiro

    Qual é o impacto sobre o crédito e as taxas de juros internas de mercado quando o Banco Central decide por alterar alguns de seus instrumentos de política monetária com base nos compulsórios e transações com títulos?

    Obrigado pela ajuda!

    Rabbit.
  • Marlos
    • 22/08/07
    • 238

    #2
    Rabbit,

    Sabemos que um dos pilares mais importantes da política macroeconômica é a gestão monetária executada pelo Banco Central, nossa autoridade monetária, "guardião da moeda", que se utiliza dos instrumentos de política monetária, a saber:
    i) Operações no mercado aberto ( compra e venda de títulos públicos);
    ii) Recolhimento de compulsórios;
    iii) Linhas de Redesconto.

    Dessa forma, qualquer alteração nesses instrumentos provoca invariavelmente mudanças nas taxas de juros do mercado e nas disponibilidades de crédito pelos bancos comerciais.

    Uma operação de venda de títulos públicos representa que o governo (BC) retira de circulação reais em troca de títulos públicos à sociedade. Essa operação, portanto, reduz a oferta de moeda, os meios de pagamentos da economia, isto é, pratica-se a política monetária contracionista.
    Menos moeda na economia significa maior preço do capital, isto é, maior taxa de juros. Lembre-se da microeconomia, lei de oferta e demanda, que tudo que é escasso, tem seu preço majorado e tudo que é abundante tem seu preço minorado.
    Taxa de juros (preço da moeda) mais alta inviabiliza nova concessão de crédito à população pelos bancos comerciais, diminui as contratações e provoca queda na atividade econômica.

    Já uma operação de aumento dos compulsórios ( "a grosso modo, dinheiro da sociedade depositado nos bancos comerciais que fica dormindo no BC sem qualquer remuneração) diminui a oferta de capital pelos bancos, pois a razão reservas/depósitos se acentuou. Com menos depósitos, menor a capacidade dos bancos de fazer girar esse massa de moeda e aquecer a economia.

    Faça a lógica inversa de política monetária expansionista com queda dos compulsórios e operação de compra de títulos.

    Vale repisar que esse tipo de debate não tem sido alvo de questões pela ESAF, mas sim por outras bancas como a FCC e o NCE/UFRJ. O Cespe/UNB também se utiliza desse debate, mas mistura os assuntos de política monetária, política fiscal, política cambial e dívida pública em uma mesma questão.

    Trago a seguir uma questão recente da banca FCC sobre o assunto.

    (FCC – Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Ceará – Economista – 2005) É medida de política monetária a ser adotada se o Banco Central quiser reduzir a liquidez da economia:
    a) reduzir a taxa do depósito compulsório.
    b) promover a venda de divisas estrangeiras no mercado de câmbio.
    c) elevar a taxa de juros das operações de redesconto.
    d) promover a valorização da taxa de câmbio real.
    e) efetuar o resgate de títulos no mercado aberto.
    Quando o BC deseja reduzir a liquidez da economia, ele se vê obrigado a tomar procedimentos que diminuam a oferta monetária com o fito de desestimular as linhas de crédito na economia. Dessa forma, utilizando-se dos instrumentos de gerenciamento monetário, o BC, autoridade monetária responsável, pode restringir a liquidez, basicamente, de três formas, a saber:
    i) promoção de operações de mercado aberto no sentido da venda de títulos públicos: o BC oferta títulos públicos no mercado e as pessoas físicas e jurídicas não financeiras compram esses papéis da dívida pública em troca de reais que são retirados de circulação. Hoje não se faz necessária nem mesma a intervenção de bancos comerciais na aquisição dos títulos públicos. Qualquer cidadão pode adquiri-los pela internet no site do Tesouro Nacional (http://www.stn.gov.br) sem a intermediação de um banco comercial, reduzindo os custos do papel.
    ii) promoção de operações de aumento de compulsórios: o montante de recursos mantidos pelos bancos comerciais no BC deve aumentar para que os primeiros tenham uma disponibilidade menor de oferecimento de crédito e a base monetária se retraia, não aquecendo a economia além do limite desejável pelo governo.
    iii) promoção de operações de elevação da taxa de redesconto: no fechamento diário de operações, alguns bancos podem necessitar de uma linha especial (taxa de juros de redesconto) para se tornarem líquidos e cumprirem seus compromissos de caixa. O aumento dessa taxa de juros de redesconto serve para punir o banco ilíquido, reduzindo a base monetária.
    As assertivas a e e estão incorretas, pois traduzem instrumentos de política monetária no sentido de aumento da liquidez: redução de compulsórios e resgate (recompra) de títulos públicos no mercado aberto.

    As assertivas b e d estão incorretas, pois são instrumentos de política cambial e não monetária propriamente dita.

    A assertiva c está correta (elevar a taxa de juros de redesconto).

    Comentário

    • linho-cs
      • 09/01/07
      • 315

      #3
      eu tenho uma dúvida qto a taxa de redesconto...

      eu acabei decorando assim: ato mais alta essa taxa menor será a liquidez.

      só q não entendi bem como funciona. se trata de uma taxa de empréstimo? ou seja, qto mais alta menos os bcos vão querer tomar dinheiro emprestado? ou será uma taxa de remuneração para bancos q deixem dinheiro no bacen? qto mais alta, mais os bancos vão querer deixar o $$ na mão do bacen?

      obrigado

      Comentário

      • Daniel F
        • 14/01/07
        • 915

        #4
        Originally posted by linho-cs
        eu tenho uma dúvida qto a taxa de redesconto...

        eu acabei decorando assim: ato mais alta essa taxa menor será a liquidez.

        só q não entendi bem como funciona. se trata de uma taxa de empréstimo? ou seja, qto mais alta menos os bcos vão querer tomar dinheiro emprestado? ou será uma taxa de remuneração para bancos q deixem dinheiro no bacen? qto mais alta, mais os bancos vão querer deixar o $$ na mão do bacen?

        obrigado
        Eu acho que é a taxa cobrada pelo BACEN para emprestar dinheiro aos bancos....quanto mais alta, menos dinheiro os bancos vão tomar emprestado, e menor vai ser a oferta de moeda

        Comentário

        • Marlos
          • 22/08/07
          • 238

          #5
          A taxa de redesconto é cobrada pelo Banco Central em seus empréstimos para os bancos comerciais. Notem, então, que os agentes envolvidos são os que lidam diretamente com o sistema financeiro: autoridade monetária máxima e bancos comerciais, esses de varejão, como Bradesco, Itaú, Unibanco etc... Muitas vezes os bancos comerciais necessitam de recursos de curto prazo para cobrir obrigações que, por falta de liquidez no período, não teriam como cumprir. A taxa de redesconto é um instrumento de política monetária do Banco Central. O aumento da taxa tem um impacto contracionista na economia e uma diminuição tem um impacto expansionista.
          Cuidado: não confundam redesconto com bancos em situação de insovência, tendo que ser socorrido pelo emprestador de última instância, ou seja, utilização do dinheiro dos contribuintes, socialização dos prejuízos... O redesconto é uma operação natural que os bancos solicitam ao BC.
          Hoje, o BC trabalha com uma postura bem de "governança corporativa" em que se tem uma visão pró-ativa do sistema financeiro, procura-se evitar o risco sistêmico.

          Até mais,
          Marlos

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