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Elasticidades

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  • Coração Valente
    • 25/11/06
    • 113

    Elasticidades

    Professor,

    No edital para o ICMS-RJ constam, na matéria de Micro, as Elasticidades 1) Preço da procura (ou demanda)
    2) Preço da oferta
    3) Renda da procura
    4) de substituição ???? É a mesma que preço cruzada da demanda?

    Abraço
  • Marlos
    • 22/08/07
    • 238

    #2
    O ESTUDO DAS ELASTICIDADES : ELASTICIDADE PREÇO DA DEMANDA E DA OFERTA
    O conceito de elasticidades é próprio do estudo da Microeconomia quando se analisa as questões que envolvem a demanda e a oferta do mercado. Procura-se investigar o que ocorre com a demanda e a oferta de um determinado bem ou serviço quando se presencia alterações nos preços dos mesmos. De qualquer forma, embora o estudo das elasticidades tenha suas raízes na Microeconomia, é de muita utilidade também no campo da Macroeconomia através do estudo, por exemplo, dos impactos da taxa de juros sobre o nível de poupança e investimento bem como da taxa de câmbio sobre o fluxo de importações e exportações.
    Mas o que entendemos por elasticidade ou sensibilidade? Quais as aplicações para o estudo da Economia e das Finanças Públicas?
    Elasticidade representa sensibilidade. Denota o grau de sensibilidade, de reação do comportamento dos consumidores ou produtores de um certo bem quando ocorre uma alteração no preço do mesmo. No primeiro caso, temos a elasticidade preço da demanda e, no segundo, a elasticidade preço da oferta.
    4.2.1. Elasticidade preço da demanda
    A coletividade reage de maneira diversa a variações no preço e mesmo dentro da sociedade os distintos estratos de classe social apresentam variações diferentes diante de variações nos preços dos diversos produtos.
    Se o preço da caixa de fósforo ou do sabonete, por exemplo, sofrerem um aumento significativo, as pessoas não deixarão de adquiri-los, uma vez que são produtos essenciais e não apresentam substitutos próximos. Da mesma forma, temos o sal de cozinha e o combustível para os automóveis.
    Na outra ponta, temos as jóias, os perfumes e os automóveis, que não são propriamente essenciais (mesmo tendo em vista as necessidades da vida moderna), de sorte que se ocorrer um estúpido incremento de preços, os indivíduos poderão refazer suas preferências e gostos diante de sua restrição orçamentária.
    Imaginemos um certo comportamento da demanda dos bens banana e maça:
    Demanda de banana Demanda de maça
    Preço banana Qtde banana Preço maça Qtde maça
    Ano 0 10 50 20 200
    Ano 1 14 20 28 190
    Notamos que tanto o preço da banana quanto o da maça sofreram um crescimento da ordem de 40% ( de 10 para 14 e de 20 para 28, respectivamente). Entretanto, o consumo das frutas reagiu de forma bastante diferente. A quantidade demandada de bananas sofreu um decréscimo de 60% (de 50 passou para 20) ao passo que a maça teve seu consumo reduzido em somente 5% (de 200 para 190).
    Dessa forma, conclui-se que a demanda de banana é mais sensível, mais elástica que a demanda de maça. Essa maior ou menor sensibilidade é medida pelo coeficiente ou taxa de elasticidade-preço da demanda (Ep), que mede a variação percentual na quantidade demanda do bem em relação à variação percentual observada no preço.
    A elasticidade-preço da demanda é definida pela fórmula:
    Ep = variação percentual na quantidade demandada
    Variação percentual no preço
    No exemplo da tabela acima, teríamos:
    Ep = 60% = 1,5 , no caso da banana e
    40%
    Ep = 5% = 0,125, no caso da maça.
    40%
    Dessa forma, podemos rotular o estudo das elasticidades em algumas situações clássicas:
    i) Demanda Elástica: a variação percentual observada na quantidade demanda é maior que a variação verificada no preço, ou seja, o numerador é maior que o denominador em módulo (não se leva em conta o sinal pois a relação de quantidade demandada e preço é sempre negativa). Ep > 1
    ii) Demanda Unitária: a variação percentual observada na quantidade demanda é igual à variação percentual no preço em módulo. Ep = 1
    iii) Demanda Inelástica: a variação percentual na quantidade é menor que a variação observada no preço, ou seja, o numerador é menor que o denominador em módulo. Ep < 1.
    Adicionalmente, temos dois casos extremos (especiais) a considerar:
    a) Demanda infinitamente elástica (Ep tende ao infinito): a curva de demanda é inteiramente horizontal ao nível de preço e a quantidade demanda é totalmente sensível a variações de preço.
    Figura 01 - Demanda Infinitamente Elástica.
    P


    Ep tende ao infinito (demanda infinitamente elástica)



    Q


    b) Demanda infinitamente inelástica (Ep =0): a curva de dmeanda é totalmente vertical (inclinada) o que sinaliza uma quantidade demandada integralmente insensível a variações de preço.


    Figura 02 - Demanda Infinitamente Inelástica.

    P Ep = 0 ( demanda infintamente inelástica)








    Q

    4.2.2. Fatores e circunstâncias determinantes para a elasticidade-preço.
    Embora a rigor só possamos afirmar se um determinado bem apresenta demanda elástica ou inelástica face a mudanças no preço a partir de pesquisas empíricas, vale mencionar alguns fatores que determinam a elasticidade ou inelasticidade do bem ou serviço como a essencialidade do produto, a quantidade de substitutos perfeitos ou próximos e o peso no orçamento familiar.
    a) Essencialidade do produto
    Quanto maior a utilidade ou essencialidade de um produto ou serviço, menos elástica ou mais inelástica tende a ser a demanda. Aumentos no preço do produto ocasionariam redução insignificante na quantidade demandada ou nenhuma redução. São produtos de primeira necessidade como alimentos básicos, serviços de saúde e educação.
    b) Quantidade de substitutos.
    O número de substitutos próximos varia diretamente com a elasticidade do bem. Tomemos como exemplo a compra de um pacote de sal de cozinha. Se o citado bem aumentar extraordinariamente de preço, o consumidor continuará adquirindo a mesma quantidade, por absoluta falta de opção, o que torna a demanda muito inelástica. Por outro lado, suponhamos que o consumidor pretende adquirir um automóvel Gol 1.0, mas uma inesperado aumento de preços daquela automobilística inviabilizou a referida compra em benefício da aquisição de um Fiesta, por exemplo, de outra fabricante. O citado bem é muito elástico porque, dentre outros fatores, apresenta inúmeros substitutos (todas as montadoras possuem veículos populares!).

    c) Peso no orçamento familiar.
    O peso no orçamento familiar varia diretamente com a elasticidade de um bem. Se o produto apresentar peso baixo no orçamento como é o caso do sabonete, variações no preço não alterarão a quantidade demanda, pois o citado bem é bastante barato. Por outro lado, produtos com peso considerável no orçamento como automóveis, bens mais caros, que exigem maior comprometimento de recursos financeiros tendem a ser elásticos, afetando muito a quantidade demandada.

    4.2.3. Elasticidade-preço da oferta.
    O conceito da elasticidade também é aplicável ao caso da oferta de forma a sentirmos a reação dos ofertantes (produtores) a variações nos preços dos produtos. É definida pela fórmula:
    Ep = variação percentual na quantidade ofertada
    Variação percentual no preço
    Sobre a análise dos diversos casos de elasticidade preço da oferta, os casos da ótica da demanda se aplicam fielmente ao aqui tracejado.

    Sobre Elasticidade Cruzada:
    Existe no campo da Microeconomia uma classificação dos bens em substitutos, complementares e independentes em consonância com a elasticidade cruzada dos bens. Quando a procura de um bem X aumenta e, em conseqüência, a procura de outro bem Y também aumenta, os bens A e B podem ser considerados complementares. Quando a procura de um bem X aumenta e, em conseqüência, a procura de outro bem Y diminui, os bens X e Y podem ser considerados substitutos. E serão independentes se a procura de um não influenciar na procura do outro.
    O conceito de elasticidade cruzada da procura visa mensurar a alteração relativa na quantidade procurada de um produto em função da mudança relativa no preço de um segundo produto. Imaginemos, então, dois produtos carne de frango e carne de boi sendo que o preço do gado subiu extraordinariamente como política de incentivo ao consumo de frango. Dessa forma, um aumento no preço do boi reduziu abruptamente a quantidade demandada da respectiva carne, aumentando, em contrapartida, o consumo da carne de frango. Fica caracterizado, portanto, que bens substitutos apresentam elasticidade cruzada positiva. Outro exemplo bastante tradicional é o da manteiga e margarina supondo que a primeira tenha apresentado um crescimento de preços vigoroso no último semestre. Dessa forma, a quantidade demandada de margarina vai ser bruscamente reduzida em benefício de uma maior consumo de margarina, que é o seu substituto imediato, ainda que de qualidade inferior.
    Os bens são substitutos quando sua elasticidade cruzada é positiva, ou seja, a demanda de um aumenta quanto o preço do outro aumenta. Os bens são complementares (pão e manteiga, café e leite) quando sua elasticidade cruzada é negativa: a demanda de um diminui quando o preço do outro aumenta. São independentes (camisa e banana) quando não se tem uma relação entre os citados bens.
    Tipo de Bens Elasticidade Cruzada
    Substitutos +
    Complementares -
    Independentes, autônomos 0

    Comentário

    • Coração Valente
      • 25/11/06
      • 113

      #3
      Valeu pela AULA Mestre! Nos vemos no Ponto dos Concursos!

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