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TÓPICO DE AJUDA: O sujeito é o agente da ação?

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  • Almoxarife
    • 01/02/07
    • 256

    TÓPICO DE AJUDA: O sujeito é o agente da ação?

    A resposta não é um simples "não". Podemos só dizer que nem sempre o sujeito da oração é o agente da ação. "Nem sempre" porque, em muitas das orações que escrevemos e falamos por aí, o sujeito é o agente da ação. É um caso típico, mas não é 100% verdadeiro. E é isso que faz a definição de sujeito ser muito difícil a alguns.

    Então comece relaxado. Afinal, até que seu conhecimento intuitivo sobre o português serve pra alguma coisa: vc sabe que, pelo menos estereotipicamente, o sujeito é o agente da ação.

    Entretanto...

    (a) O João cortou a árvore.
    (b) O João cortou o cabelo.

    As oraçãos não são semelhantes em seu sentido, justamente porque o sujeito de (a) é agente da ação, enquanto o sujeito de (b) não é. Em (b), é o cabelo do João que foi cortado. Isto é, é ele quem sofre a ação.

    Por outro lado, nas duas orações, o sintagma nominal [O João] é semelhantemente o sujeito da oração. Por que sujeito? Porque possui uma relação sintática com o predicado.

    Relações sintáticas são aquelas que se materializam por meio da morfologia das palavras na oração. Ou seja, as palavras se flexionam de acordo com outras palavras presentes num sintagma. Exemplifico:

    bom menino----------------->bons meninos
    SINGULAR-------------------->PLURAL
    [por "bom" ser adjunto adnominal de "menino", há concordância nominal]

    O João cortou a árvore. ---------------> O João e a Maria cortaram a árvore.
    SINGULAR -----------------------------> PLURAL
    [por "O João" ser sujeito de "cortou a árvore", há concordância verbal]

    Nesse sentido, a melhor definição de sujeito é aquela que diz ser ele o sintagma que concorda em número com o núcleo do predicado.


    MAS ENTÃO A DEFINIÇÃO SEMÂNTICA PODE SER DESCARTADA?

    De novo, não necessariamente. Podemos dizer que o sujeito estabelece uma relação com o predicado, que se materializa com a concordância entre o sintagma nominal e o sintagma verbal. É mais certo dizer assim do que dizer que o verbo concorda com o sujeito. E para explicar isso a semântica vai nos auxiliar...

    Nos exemplos repetidos a seguir, vemos claramente que quem define que o sujeito é o agente da ação não é o verbo sozinho, mas o predicado inteiro.

    (a) O João cortou o cabelo.
    (b) O João cortou a árvore.

    Em outras palavras, não é o verbo [cortou] sozinho que atribui ao João a qualidade de ser agente ou de ser paciente na ação. São os predicados inteiros - [cortou a árvore] e [cortou o cabelo] - que dão os sentidos ao sujeito.

    Assim, apesar de intuitivamente acharmos que o sujeito é o agente da ação, nem sempre ele é. Mas uma coisa é certa: quando ele é agente da ação não é porque ele é sujeito, mas é porque o predicado atribui essa qualidade a ele na função de sujeito.


    BONS ESTUDOS.

    obs. Ronaldo sinta-se a vontade para comentar e complementar. VALEU!
  • ronaldo
    • 16/12/06
    • 2064

    #2
    Re: TÓPICO DE AJUDA: O sujeito é o agente da ação?

    Postado Originalmente por Almoxarife
    A resposta não é um simples "não". Podemos só dizer que nem sempre o sujeito da oração é o agente da ação. "Nem sempre" porque, em muitas das orações que escrevemos e falamos por aí, o sujeito é o agente da ação. É um caso típico, mas não é 100% verdadeiro. E é isso que faz a definição de sujeito ser muito difícil a alguns.

    Então comece relaxado. Afinal, até que seu conhecimento intuitivo sobre o português serve pra alguma coisa: vc sabe que, pelo menos estereotipicamente, o sujeito é o agente da ação.

    Entretanto...

    (a) O João cortou a árvore.
    (b) O João cortou o cabelo.

    As oraçãos não são semelhantes em seu sentido, justamente porque o sujeito de (a) é agente da ação, enquanto o sujeito de (b) não é. Em (b), é o cabelo do João que foi cortado. Isto é, é ele quem sofre a ação.

    Por outro lado, nas duas orações, o sintagma nominal [O João] é semelhantemente o sujeito da oração. Por que sujeito? Porque possui uma relação sintática com o predicado.

    Relações sintáticas são aquelas que se materializam por meio da morfologia das palavras na oração. Ou seja, as palavras se flexionam de acordo com outras palavras presentes num sintagma. Exemplifico:

    bom menino----------------->bons meninos
    SINGULAR-------------------->PLURAL
    [por "bom" ser adjunto adnominal de "menino", há concordância nominal]

    O João cortou a árvore. ---------------> O João e a Maria cortaram a árvore.
    SINGULAR -----------------------------> PLURAL
    [por "O João" ser sujeito de "cortou a árvore", há concordância verbal]

    Nesse sentido, a melhor definição de sujeito é aquela que diz ser ele o sintagma que concorda em número com o núcleo do predicado.


    MAS ENTÃO A DEFINIÇÃO SEMÂNTICA PODE SER DESCARTADA?

    De novo, não necessariamente. Podemos dizer que o sujeito estabelece uma relação com o predicado, que se materializa com a concordância entre o sintagma nominal e o sintagma verbal. É mais certo dizer assim do que dizer que o verbo concorda com o sujeito. E para explicar isso a semântica vai nos auxiliar...

    Nos exemplos repetidos a seguir, vemos claramente que quem define que o sujeito é o agente da ação não é o verbo sozinho, mas o predicado inteiro.

    (a) O João cortou o cabelo.
    (b) O João cortou a árvore.

    Em outras palavras, não é o verbo [cortou] sozinho que atribui ao João a qualidade de ser agente ou de ser paciente na ação. São os predicados inteiros - [cortou a árvore] e [cortou o cabelo] - que dão os sentidos ao sujeito.

    Assim, apesar de intuitivamente acharmos que o sujeito é o agente da ação, nem sempre ele é. Mas uma coisa é certa: quando ele é agente da ação não é porque ele é sujeito, mas é porque o predicado atribui essa qualidade a ele na função de sujeito.


    BONS ESTUDOS.

    obs. Ronaldo sinta-se a vontade para comentar e complementar. VALEU!
    Muito bem, estamos em um terreno movediço, que é muito pouco discutido nas gramáticas, e que talvez nem discutido seja, pois as gramaticas misturam os critérios de definição de sujeito, sem aprofundar na coisa. Mas pra efeito de prova essas insuficiências das gramáticas não são relevantes. Todavia, mesmo assim, foi muito positivo a participação e a colaboração do Amoxarife.

    Quero apenas acrescentar o seguinte:

    Sujeito não é a mesma coisa que agente da ação.

    Sujeito é uma função sintática exercido por nome, pronome ou por qualquer outro termo nominalizado, a exemplo do objeto direto , objeto indireto, etc.

    Já agente da ação é um papel semântico atribuído a um sujeito. Então,conclui-se: todo agente da ação é um sujeito, mas nem todo sujeito é agente da ação, ok.

    Vamos explicar isso:

    As nossas gramáticas definem sujeito como sendo o agente da ação verbal, aquilo ou aquele que pratica a ação do verbo. Pois bem, esta definição é uma definição semântica para qual a gramática atribui para qualquer verbo. É aí que mora o perigo dessa definição.

    O sujeito só terá o papel semântico de agente com predicadores de evento, ou seja, com verbos que indicam ação, dinamicidade.
    P. EX.: O homem DESTRUIU o telhado.

    Já , p. ex., nesta frase: o homem OUVIU uma mensagem, este verbo não é um verbo de ação, assim sendo, o HOMEM é sujeito, sintaticamente falando, pois concorda com o verbo, mas semanticamente não é o agete da ação, pois a semantica do verbo ñão é de ação, de dinamicidade,O verbo é estativo, que relaciona experiência,ou seja, não é verbo de ação; logo, conclusão: Na frase O HOMEM OUVIU MÚSICA, O sujeito exerce semanticamente a função de EXPERIENCIADOR,e não de agente da ação do verbo, como quer a gramática tradicinal, e é este justamente o problema da gramática tradicional: atribuir o papel semantico de agente para qualquer tipo de verbo

    Só mais um exemplo para finalizar: Paulo mora em Recife. Pergunto: vocês acham que este verbo MORAR é verbo que indica ação, dinamicidade? Certamente, não. Ele é um verbo que indica uma propriedade de LOCALIZAÇÃO. Assim, o sujeito desse verbo, semanticamente, é um agente? Não, ele é um PACIENTE, porque o verbo atribui uma propriedade não dinamica ao sujeito, no caso Paulo.

    Em suma, pessoal, quem vai determinar os diversos papéis semanticos do sujeito, como os vistos acima, pois existem outros papéis que não convém citar, é a semântica do verbo.

    Assim como na concordância, o sujeito é o determinante da forma verbal, e o verbo o elemento determinado; na semantica o verbo é o elemento determinante, pois a sua semantica limita os papés semanticos que o sujeito pode exercer.

    Espero que essa apresentação e a apresentação do Almoxarife sirvam pra clarear mais as ideias

    bons estudos....

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